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politicaxix

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13.Mar.05

Proteccionismo: A Esquerda afoga-se num mar de incoerências

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Os intelectuais de Esquerda já arranjaram mais uma vítima a quem atribuir a responsabilidade pela fome no Terceiro Mundo, de seu nome Proteccionismo. Será mesmo possível que a política doméstica de um país seja responsável pelo que se passa no outro lado do mundo? Evidentemente que não.

Antes de mais, e começando pelo princípio, o que é o Proteccionismo? O Proteccionismo é uma política comercial que se baseia na imposição de barreiras alfandegárias tendo como objectivo incentivar a produção doméstica. O Proteccionismo opõe-se ao comércio livre e portanto à Globalização sob o prisma comercial.

Aqui surge a primeira contradição dos intelectuais Esquerdistas a que me referi no texto “A fome no mundo – o sofisma da Globalização”: Estes intelectuais são contra a Globalização e contra a abertura de fronteiras, porque isso permite às multinacionais dos países desenvolvidos instalarem-se nos países em vias de desenvolvimento fazendo assim uma forte concorrência às pequenas empresas locais. Por outro lado são a favor da aberturas das fronteiras para que os países em vias de desenvolvimento possam colocar os seus produtos, baseados em mão de obra barata, nos mercados dos países desenvolvidos.
Este é o primeiro drama dos intelectuais de Esquerda. Não conseguem chegar a uma opinião definitiva, se são a favor ou contra a abertura das fronteiras ao comércio. Como resultado, uns dias andam a dizer uma coisa, outros dias dizem precisamente o oposto.

O Proteccionismo parece ser agora o mais recente bode expiatório para uma nova vaga de pensadores convencidos que descobriram a pólvora ou coisa que os valha. Descobriram que acabando com o Proteccionismo isso poderia minorar (em seu entender terminar) o problema da fome e da pobreza nos países subdesenvolvidos. Falham no entanto o ponto essencial: o Proteccionismo NÃO é a causa da fome nem da pobreza.

Passemos a uma explicação mais detalhada do que foi dito: O preço do arroz no Japão é cinco vezes mais caro que em outras partes do mundo. Evidentemente que o Japão poderia importar arroz muito mais barato, porque não o faz? A razão é simples: isso conduziria à ruína de muitos milhares de agricultores japoneses.

A grande descoberta dos intelectuais Esquerdistas foi a seguinte: Se o Japão importasse arroz proveniente de países pobres, isso constituiria uma importante fonte de receitas para os países pobres aliviando assim a sua situação de pobreza. Dito de outra forma, se o Japão destruísse a sua agricultura de arroz e o dinheiro entregue aos agricultores japoneses pelos seus produtos passasse a ser entregue aos agricultores de países subdesenvolvidos, naturalmente que a situação destes melhoraria.
A genialidade do argumento é precisamente esta: Não há qualquer criação adicional de riqueza, não há qualquer melhoria de eficiência, não há uma melhor racionalização dos recursos, simplesmente os produtos que eram comprados a uns agricultores passam agora a ser comprados a outros. Resolve-se o problema da pobreza dos segundos, mas cria-se um problema de pobreza para os primeiros. Trata-se apenas de puxar a manta sobre a pobreza, tapando de um lado mas destapando de outro. De facto é necessário brilhantismo para encontrar soluções destas.

Termino relembrando o episódio do debate televisivo em que o líder comunista Jerónimo de Sousa perdeu a voz. Em grande sofrimento, Jerónimo de Sousa só conseguiu dizer e já em esforço: “Invoquem a cláusula de salvaguarda, invoquem a cláusula de salvaguarda”. O que significa isto? Significa a implantação de medidas proteccionistas nos sectores do calçado e do têxtil sem as quais se irão perder em Portugal centenas de milhares de postos de emprego.

A solução é portanto terminar com o Proteccionismo sem abdicar do Proteccionismo.

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