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politicaxix

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22.Mar.05

A fome no mundo (3) – Limite Malthusiano

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Thomas Malthus, um dos mais proeminentes vultos dos Sec. XVIII-XIX

As causas para a fome e miséria no mundo são de há muito conhecidas e encontram-se claramente expostas na obra de Thomas Robert Malthus (1766-1834) “Ensaios sobre população”, cuja edição revista foi publicada em 1803.

Como já referi no texto “A fome no mundo (1) – a evolução natural”, Malthus, começou por se dedicar à observação de populações de animais e de plantas, tendo concluído que tanto as espécies de animais como as de plantas produzem sempre um número de descendentes significativamente superior àqueles que têm possibilidade de sobreviver. Desta forma, o número de elementos de uma dada população aumentará sempre, desde que a quantidade de alimentos disponíveis o permita. Se a população aumentar excessivamente, ocorrerá fome assim que a quantidade de alimentos produzida for inferior à necessária para alimentar a população. Verifica-se portanto que a eliminação da fome requer (pelo menos) um equilíbrio entre os alimentos produzidos (produção) e os necessários para alimentar a população (necessidades de consumo).

Considerando uma população que produz alimentos numa quantidade adequada a essa mesma população, Malthus estabeleceu então que o fenómeno da fome irá ocorrer se a população aumentar a uma taxa superior à taxa a que aumenta a produção de alimentos. Dado que a tendência natural de uma população cuja natalidade não seja controlada é a de aumentar em progressão geométrica, a condição anterior verifica-se sempre e a fome surge então como um fenómeno natural. Malthus concluiu portanto que a fome pode apenas ser combatida controlando a natalidade, de forma a que a população não aumente descontroladamente, caso contrário haverá irremediavelmente fome.

Para estabelecer uma relação entre o desenvolvimento e o crescimento populacional, consideremos o caso de um qualquer país que tenha anualmente disponível uma dada quantia de dinheiro, proveniente da riqueza produzida no país. Esse dinheiro pode ser aplicado no desenvolvimento do país (de forma a produzir mais riqueza em anos futuros) ou na melhoria da qualidade de vida da população. Além disso, se nesse país se verificar um aumento da população, seja através de uma elevada natalidade ou de imigração, parte do dinheiro terá que ser usado na criação de infra-estruturas que permitam acolher esse acréscimo de população (casas, ruas, hospitais, escolas, transportes públicos, etç). Porém, se a taxa de crescimento populacional for suficientemente elevada, haverá um valor limite para essa taxa, o limite Malthusiano, para o qual o dinheiro ao dispor do país iguala o valor necessário para criar as condições necessárias para acolher esse acréscimo de população. Se a população aumentar a uma taxa superior a esse valor limite, o desenvolvimento desse país estagna ou regride e as condições de vida da população irão degradar-se.


Ou seja, é condição NECESSÁRIA para o desenvolvimento de qualquer país travar o crescimento populacional excessivo. A China é o exemplo de um país que conseguiu enveredar pelo trilho do desenvolvimento devido a um apertado controlo da natalidade.
Se atendermos às tendências demográficas, torna-se por demasiado evidente que o problema da fome nos países do Terceiro Mundo é causado pela explosão demográfica que se verifica nesses países. Desta forma, o envio de ajuda alimentar para os países onde há fome tem um efeito contraproducente. Essa ajuda alimentar não evita a fome nas populações, antes pelo contrário vai possibilitar um crescimento não sustentado da população agravando assim o problema da fome. Vai apenas possibilitar que a população aumente e que mais pessoas sofram com o problema da fome nos países do Terceiro Mundo.

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