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politicaxix

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05.Abr.05

Carta da “República e Laicidade” à Ministra da Educação

Seguramente que a grande maioria, ou mesmo a totalidade dos leitores, não conhecerá uma certa associação cívica denominada “República e Laicidade”. Como já referi anteriormente, um dos métodos de acção privilegiados do Bloco de Esquerda em particular e da Esquerda Fundamentalista em geral, consiste na criação de “associações cívicas” que têm por objectivo pressionar os órgãos de soberania sob a capa de grupos de cidadãos independentes, por forma a que estes tomem decisões defendidas por estes grupos minoritários e contrárias às opiniões da maioria da população. Assim, não será de estranhar que nesta obscura “associação cívica” pontifique o nosso conhecido Fernando Rosas.


Como o próprio nome indica, esta associação tem por único objectivo extravasar todo o ódio e intolerância dos Esquerdistas em relação à Igreja Católica. Neste momento, o problema do país que mais preocupa esta associação é a presença de crucifixos em algumas escolas, crucifixos que lá se encontram há já largas dezenas de anos mas que “30 anos depois do 25 de Abril” ainda lá continuam. Um problema gravíssimo que coloca em causa o desenvolvimento do país e o bem estar da população. Consideram pois que estes crucifixos, que afinal traduzem também a nossa cultura e as nossas tradições, devam ser retirados para satisfazer a intolerância desta meia dúzia de fanáticos. Com este propósito, a dita organização enviou uma carta à Ministra da Educação, a qual diga-se de passagem, constitui um verdadeiro hino ao disparate.

http://www.geocities.com/republaicidade/Comunicados/ME.htm

A carta é composta por três partes que passo a abordar em seguida. Na primeira parte, a associação cívica limita-se a bajular a ministra, pelo que não tem qualquer interesse para a discussão.

Na segunda parte, esta recém-criada associação, consciente de ser uma total desconhecida, apresenta-se à ministra.

Na terceira parte finalmente colocam à Senhora Ministra da Educação a questão que tanto os preocupa.

No ponto um, afirmam que a sua associação (apesar de completamente desconhecida do público) se viu recentemente inundada de protestos de pessoas que se sentem incomodadas pela presença de crucifixos nas escolas. Aliás, faz todo o sentido que estas pessoas tenham preferido enviar a sua reclamação a uma associação desconhecida e sem qualquer poder, em vez de o fazerem às entidades competentes.

No ponto dois, a associação alega receber insistentes reclamações sobre a ocorrência de missas e rituais religiosos na escola, em horário escolar e envolvendo os alunos. Possivelmente os estudantes até são obrigados a comungar diariamente. Só não falaram em rituais satânicos porque seria difícil imputar as culpas à Igreja Católica. Mais uma vez, não tal não abona muito em favor da sanidade mental dos encarregados de educação que reportaram estes casos a uma associação desconhecida em vez de o fazerem às entidades competentes.

No ponto três, explica-se que os encarregados de educação queixosos nada mais fazem a não ser contactar esta abscôndita associação cívica por temer represálias por parte do meio escolar em geral. De onde se conclui que a larga maioria do meio escolar deseja de a presença dos crucifixos nas escolas e temos portanto uma confissão clara dos princípios antidemocráticos que norteiam esta associação cívica.


Os pontos quatro, cinco, seis e sete, sobre leis e Constituição, apenas fazem sentido se de facto ocorrem as tais missas clandestinas nas escolas e a que os alunos são obrigados a assistir. Como qualquer pessoa com mais de dois neurónios se apercebe imediatamente tratar-se de uma invenção desta associação cívica em bom estilo bloquista, são quatro pontos que não merecem mais comentários.

O ponto oito é um exercício de demagogia no qual se dá largas à imaginação e se explica que devido à “mobilidade” (leia-se imigração ilegal) devemos renegar à nossa cultura e tradições por forma a que os imigrantes ilegais se sintam felizes no nosso país.

Por fim, no ponto nove a Ministra é instada a enviar uma circular com instruções aos estabelecimentos escolares para que as ordens desta “associação cívica” sejam cumpridas.


saladeaula.jpg
O crucifixo pendurado sobre o quadro constitui uma grave ameaça para os alunos: Pode cair em cima da cabeça de algum deles


Talvez fosse melhor a estes fanáticos preocuparem-se com as doses industriais de charros fumados pelos bloquistas em idade escolar que com meia dúzia de crucifixos perdidos em paredes de escolas desde tempos imemoriais.

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