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politicaxix

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24.Jun.05

Coisas estranhas continuam...

Coisas estranhas se estão a passar neste país. O Presidente da República contacta o embaixador de Cabo Verde no sentido de inquirir se será seguro deslocar-se à Cova da Moura. Tendo recebido luz verde do embaixador de Cabo Verde para se deslocar a este bairro de Lisboa, o Presidente da República fá-lo acompanhado de uma escolta pessoal reforçada. Foram também mobilizadas as unidades de reserva da PSP, bem como o Corpo de Intervenção e o Grupo de Operações Especiais, que ocuparam posições estratégicas no bairro. No final da visita, o Presidente da República afirmou tratar-se de um bairro de gente boa. Alguém me pode explicar porque razão é necessário tal aparato e tal conjunto de medidas de segurança extraordinárias para visitar um bairro de gente boa? Além disso, levanta-se outra questão: Se este é um bairro de gente boa, de onde provêm os meliantes que causaram o arrastão de Carcavelos e que diariamente assaltam comboios na linha de Sintra?


Continuando a senda de casos estranhos, o ministro António Costa anunciou esta segunda-feira um significativo reforço do policiamento na linha de Sintra, ao passo que a CP anunciou estar a preparar um conjunto de medidas que visem garantir a segurança dos utentes. No mesmo dia, o mesmo ministro anunciou que os assaltos em comboios no primeiro trimestre de 2005 diminuíram 33% em relação a igual período do ano passado. Há aqui alguma coisa que não bate certo. Novas medidas de combate à criminalidade anunciam-se quando a criminalidade aumenta e não quando a criminalidade diminui. A pergunta que gostaria de deixar ao senhor ministro António Costa é a seguinte: Esses números traduzem uma diminuição da criminalidade ou traduzirão apenas o facto de que as vítimas desistiram de apresentar queixas por constatar que de nada servem? A título de exemplo, os indivíduos que causaram o pânico na linha de Sintra na passada segunda feira foram “levados à esquadra para identificação”.


A polícia divulgou junto dos cidadãos um conjunto de conselhos que deverão seguir quando forem à praia. O primeiro deles apela aos cidadãos para que não levem objectos de valor nem roupa de marca. Não deixa de ser estranho, quando ao mesmo tempo os nossos políticos asseguram que as praias são locais seguros.


O ACIME, organismo governamental sob a tutela da Presidência do Conselho de Ministros, solicitou à Alta Autoridade para a Comunicação Social que “promova um Acordo de Princípios entre os meios de comunicação social em relação a notícias com potencial leitura racista e xenófoba”. Isto significa o quê? O regresso à censura?


Decorreu no passado sábado uma manifestação organizada pela Frente Nacional, que apelava a todos os cidadãos que se manifestassem contra o aumento da criminalidade. Ainda a manifestação não tinha decorrido e já a maioria dos órgãos de comunicação a descreviam como um “encontro de nazis e de racistas”. Como é possível descrever algo que ainda não aconteceu? Com esta campanha, a Comunicação Social teve o mérito de afastar da manifestação muitos cidadãos que gostariam de se manifestar contra a insegurança. Não basta os crimes de que são vítimas, quaisquer pessoas que declarem ser necessário fazer algo, ainda são apelidadas de racistas e nazis.
Nota: Abra-se uma excepção à RTP, a qual fez uma reportagem isenta sobre a manifestação.


Entretanto, no passado dia 11 de Junho, um dia depois do arrastão, um grupo oriundo do Cacém assassinou gratuitamente um jovem de 20 anos no quintal da sua casa. O grupo provocava actos de vandalismo quando uma senhora lhes sugeriu que abandonassem o local. Indignados com tal sugestão entraram ameaçadoramente no quintal, e quando o filho da senhora se aproximou em defesa da mãe foi de imediato assassinado à catanada pelas costas. Para o governo os crimes que não aparecem nas primeiras páginas dos jornais

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