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politicaxix

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10.Jul.05

Alberto João Jardim

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A minha primeira memória de Alberto João Jardim vem dos tempos de faculdade, e é a de uma notícia publicada em destaque no semanário Independente. Aparecia uma grande imagem de Jardim à qual era associada a frase “O que me preocupa é o problema da banana”. Depois de uma risota a figura foi recortada e colocada no “placard” da faculdade onde eram compiladas as patetices dos políticos.
Mais tarde, prestando maior atenção aos seus discursos e posições políticas, comecei a compreender que, apesar de numa primeira impressão poder parecer tratar-se de uma personagem apatetada, o homem é exactamente o contrário, uma pessoa inteligente e que sabe o que diz.

Recentes declarações sobre imigrantes Chineses na ilha da Madeira lançaram sobre ele um chuva de críticas. Do Bloco de Esquerda ao CDS/PP passando por diversas organizações não partidárias, o coro de críticas foi unânime. Dias mais tarde, Alberto João Jardim reiterou a sua posição não retirando uma vírgula ao que dissera. Levanta-se aqui uma questão pertinente: Porque razão não disse Jardim exactamente o contrário daquilo que disse? Porque razão não afirmou Jardim que os imigrantes Chineses eram uma mais valia para a ilha, e que o seu contributo seria positivo e bem vindo? Estas palavras ter-lhe-iam valido um coro de aplausos e elogios e, quem sabe, poderia até vir a ser agraciado pelo padre Vaz Pinto. Não seria muito mais lógico e vantajoso para Jardim?

Para tentar responder a esta questão há que compreender quais os padrões éticos e morais pelos quais se rege a classe política portuguesa. No dia 7 de Julho ao serão, António José Seguro explicava na RTP1 que o terrorismo era causado pela pobreza em que vivem os terroristas. Exactamente há mesma hora, o também socialista António Vitorino explicava na SIC Notícias que a pobreza não é a causa do terrorismo. Aliás, este é também o mesmo António Vitorino que no início de Março em grande entrevista à RTP afirmou que a pobreza é a causa do terrorismo.
Não são necessárias grandes capacidades dedutivas para perceber que os atentados de Londres só podem ter sido cometidos pela comunidade imigrante islâmica residente em Inglaterra. Aliás, o primeiro suspeito é já um Árabe de nacionalidade Inglesa. Porém o Primeiro Ministro José Sócrates afirmou que não há qualquer relação entre imigração e os ataques terroristas de Londres, tendo António Vitorino elogiado tais palavras enaltecendo a coragem do Primeiro Ministro. Evidentemente que não é necessária coragem para se afirmar algo que é verdade. É-se precisa coragem sim para mentir aos eleitores, não para dizer a verdade. Isto prova que a classe política diz aquilo que pensa que os deixará bem vistos e não a verdade.
No caso do arrastão, por entre aqueles que acham que o arrastão não existiu, e aqueles que acham que foi cometido em grande parte por brancos, nenhum político considerou haver qualquer relação de causalidade entre o arrastão e políticas da imigração. A deputada Ana Drago chegou mesmo a exigir ao deputado Nuno Melo que afirmasse explicitamente não haver qualquer relação, coisa que ele fez. Já o embaixador de Cabo Verde em Portugal afirmou na capa do Expresso, e passo a citar, “Carcavelos é a ponta do tsunami de uma geração que encara a criminalidade como um desígnio normal”. Há aqui qualquer coisa que não bate certo.


Mas estes não são todos os sintomas. A propósito da adesão da Turquia à UE, todas as sondagens revelam que mais de dois terços dos eleitores Portugueses são contra. Os partidos políticos, que em democracia representam os eleitores, esses por alguma razão estranha são todos a favor, mesmo sabendo que as consequências serão desastrosas. A propósito da imigração a grande maioria dos eleitores não quer mais imigrantes em Portugal. Também aqui, os políticos não só não representam os cidadãos como ainda recorrem a métodos pouco democráticos para controlar a opinião pública como por exemplo através da propaganda do ACIME, estrutura da Presidência do Conselho de Ministros, ou em debates televisivos nos quais só participam intervenientes que defendem a imigração.


É assim possível entender o que move toda uma classe política contra Alberto João Jardim. Concorde-se ou não com ele, Jardim não é hipócrita, não mente deliberadamente para retirar dividendos políticos, e mais importante que tudo, representa os seus eleitores. A restante classe política é precisamente o oposto. É-lhes indiferente a opinião dos seus eleitores e defendem apenas posições que lhes permitam aspirar a benefícios próprios.

E é por isso que o criticam, criticam-no em nome da democracia mas são os primeiros a desconhecer o significado do termo, criticam-no em nome de uma moral que não têm. A classe política pode estar contra Jardim, mas o seu eleitorado, os cidadãos comuns, estão do seu lado. Alberto João Jardim merece mais respeito que o resto da classe política toda junta.

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