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politicaxix

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07.Fev.06

Cartoons: Afinal, a culpa do fanatismo Islâmico é (mais uma vez) do Ocidente

Hoje em dia, deambula por aí uma classe de intelectuais,
cuja análise das questões internacionais parte sempre do inviolável dogma de que
o Ocidente é o culpado por todos os males do mundo. Se há fome no Bangla Desh, a
culpa é dos Ocidentais que lá introduziram o capitalismo ou lá não introduziram
o capitalismo. Se duas tribos africanas se desatam a matar uma à outra, a culpa
é dos Ocidentais que fizeram mal as fronteiras. Se uns terroristas Árabes
decidem lançar aviões contra as torres gémeas, a culpa é dos Ocidentais que os
fazem sentir-se tristes e oprimidos. Se Bin Laden comanda uma rede terrorista, é
porque são pobres por culpa do Ocidente. Basicamente, tudo o que fazem limita-se
a uma espécie de ginástica intelectual por forma a culpabilizar o Ocidente, seja
pela praga de gafanhotos no Chade ou por qualquer outro problema em qualquer
recanto do mundo.</p>

Em tempos, pelo nosso país era frequente contar-se a
anedota de um alfaiate que, um dia não tendo feito as calças à medida certa do
freguês, explicou ao freguês que eram as pernas deste não tinham as medidas
certas. Ora bem, esta classe de intelectuais, constatando que os seus dogmas não
são consentâneos com os factos, esforçam-se agora por explicar que são os factos
que estão errados.</p>


Um bom exemplo, é o texto publicado no blog “Deseperada
Esperança” e reproduzido pelo "Número Primo":</p>

"O Conselho Islâmico Britânico
(CIB) já veio dizer que nada tem a ver com esse grupo de pessoas
. Deveria
fazer uma condenação mais clara dessas atitudes. Parece evidente que quem leva a
cabo tais manifestações são os grupos radicais organizados, que aproveitam o
pretexto para promoverem a sua agenda. E por isso mesmo, uma organização como o
CIB deveria fazer o máximo por se distanciar dessas pessoas. Até por um aspecto
que raramente é tido em conta: os imigrantes muçulmanos que, na realidade,
querem gozar das liberdades do mundo ocidental
(...)"




Ora bem, antes de mais, não é minimamente verdade que os
imigrantes muçulmanos tenham imigrado por desejar gozar das liberdades (ou da
cidadania, como se diz no Acidental) Europeias. A razão foi e muito bem,
apontada pelo involuntariamente pelo candidato presidencial Mário Soares
enquanto elogiava o Modelo Social Europeu: Os imigrantes vêm para a Europa
porque querem beneficiar dos apoios Sociais que existem na Europa (casa, saúde,
abonos, rendimentos mínimos, etç) tudo pago pelos contribuintes Europeus e coisa
que nunca teriam nos seus países de origem. A título de exemplo, a comunidade
muçulmana na Dinamarca consome cerca de 45% das despesas sociais dinamarquesas.
Essa é a verdadeira razão que leva os imigrantes muçulmanos a fazer o sacrifício
de viver na terra dos infiéis. </p>

Passando ao segundo ponto: Será mesmo verdade que a maioria
dos muçulmanos condena o terrorismo e a violência anti-Ocidental, e apenas uma
pequena minoria o apoia? Inteiramente falso. Uma sondagem publicada pela revista
Diplo, no número de Setembro de 2005, revela que mais de 90% dos “British
Muslims” odeia os Ingleses e que a maioria aprovou os ataques terroristas em
Londres. Sondagens em França revelam igualmente a maioria da população muçulmana
possui ódio em relação aos Franceses. É por isso que organizações como a CIB são
vistas pelos muçulmanos (e não só) como verdadeiros fantoches a bailar ao som da
vontade do governo Britânico. Aliás são mesmo "forçadas" a proferir tais
afirmações para evitar males maiores.</p>

No entanto, é no parágrafo seguinte que se revela com maior
eloquência a qualidade da argumentação da já mencionada classe de intelectuais:</p>


"Veja-se o que acontece em França,
onde a diminuta mobilidade social condena quem deseja viver em França para
beneficiar de um modo de vida mais livre que o das ditaduras islâmicas, no
fundo, quem deseja "ser francês", a viver à mercê de quem foi para França, mas
que abomina e contraria um estilo de vida que é a base das nossas sociedades."




Os imigrantes muçulmanos têm culpa de odiar os Franceses?
Não, a culpa é da “reduzida mobilidade social” e portanto dos Franceses que são
afinal de contas os responsáveis por essa reduzida mobilidade. Aparentemente, o
simples facto de ter vizinhos muçulmanos "força" os muçulmanos a seguir a via do
fundamentalismo. Aparentemente, os muçulmanos não possuem consciência crítica
que lhes permita discernir o que está certo do que está errado por eles
próprios. Aparentemente, algo ou alguém impede os muçulmanos de se mudarem para
outras paragens se assim o desejarem, como fizeram por exemplo muitos
Portugueses que viviam nos banlieu dos arredores de Paris. E os
Portugueses que ficaram, possivelmente não aderiram ao fundamentalismo Islâmico
devido à "reduzida mobilidade social".</p>

Talvez o governo Francês devesse tê-los instalado (em casas
pagas pelo contribuinte Francês, claro) no Mónaco, na Riviera ou em Chamonix.
Nesse caso estaríamos agora a ouvir que a deriva fundamentalista dos muçulmanos
se devia ao facto de estes se encontrarem demasiado dispersos e desenraizados.
</p>

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