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politicaxix

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28.Jun.06

Jornalismo de causas

Longe vão os tempos em que as funções de um jornalista se limitavam às de transmitir informação concisa aos seus leitores, de uma forma objectiva e imparcial. Esses jornalistas antiquados dos velhos tempos, que primavam pela idoneidade e pelo rigor jornalístico, estão hoje completamente “demodés”. Nos tempos que correm, um bom jornalista é um jornalista de causas. É aquele, não que informa, mas sim que educa os seus leitores. Aquele que molda convenientemente o pensamento dos leitores. Aquele que manipula as opiniões dos leitores por forma a que estes nunca emitam opiniões moralmente incorrectas. O jornalista moderno é pois um educador das massas.


O jornalismo de causas, para causar um maior impacto, aparece normalmente associado ao chamado jornalismo de investigação. É aqui que o jornalista arrisca a própria vida para se infiltrar nos submundos que pretende investigar, mas dos quais emerge com as mais sensacionalistas descobertas. O resultado das suas investigações é então publicado num artigo de opinião ao qual denomina “reportagem”.


Há dias, o país foi surpreendido por uma alarmante reportagem publicada no semanário Expresso, a qual denunciava ligações do perigoso PNR ao Irão, e anunciava ainda que este partido estaria a preparar uma manifestação para negar o Holocausto. Enquanto aguardávamos sentados por essa famigerada manifestação que tarda em acontecer, foi publicada mais uma brilhante peça de investigação jornalística intitulada “alerta skin”, desta vez na revista Visão. A peça começa com um comovente relato de suspeitas de tráfico de armas e licenciamentos fraudulentos que recaem sobre um grupo de pessoas no qual poderão estar incluídos elementos dos chamados “Hammer-Skins”. Por seu turno, estes Hammer-Skins são suspeitos de ter eventuais ligações com a Frente Nacional. Ora, como se sabe, alguns elementos frente Nacional são simpatizantes do perigoso partido PNR. Após ler a reportagem, qualquer leitor fica com a sensação de que o PNR está a traficar armas, mesmo que isso não esteja explicitamente lá escrito. É este o verdadeiro jornalismo!


O verdadeiro jornalista é também aquele que argumenta a meio da notícia, entrando num jogo no qual é simultaneamente jogador e árbitro. Deve, por exemplo, “informar” que o PNR não tem razão sobre a situação na África do Sul, pois foram os Portugueses que escolheram viver nas zonas mais perigosas do país. Isto não é uma opinião, é uma informação.


Mas as sensacionais descobertas da equipa de jornalistas da Visão não se ficaram por aqui: Descobriram também, por exemplo, que o “skinhead” Mário Machado é um destacado dirigente do PNR e descobriram ainda que existe uma organização denominada PNR/FN. A veracidade destes factos é de somenos importância.


O momento alto destes intrépidos jornalistas foi porém quando conseguiram provar que o PNR é uma organização fascista, através de uma minuciosa e sagaz análise ao símbolo do partido.

facho6.jpg


O símbolo do partido é, como se pode ver, uma chama semelhante ao facho olímpico. Ora, um apurado exercício intelectual permitiu então elaborar o seguinte raciocínio: Chama-> Facho -> “Fachismo” -> Fascismo. Até esta descoberta, o símbolo do Fascismo sempre fora o “fascio”, um machado com o cabo rodeado de varas.


Há portanto que felicitar o activismo, perdão, o jornalismo da Equipa Visão. Parabéns.


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Apenas para que conste, e por incrível que pareça, no estatuto editorial da Visão pode ler-se o seguinte:

4. VISÃO rege-se, no exercício da sua actividade, pelo cumprimento rigoroso das normas éticas e deontológicas do jornalismo;

6. VISÃO pauta-se pelo princípio de que os factos e as opiniões devem ser claramente separados: os primeiros são intocáveis e as segundas são livres.

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