Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2005
Esquerda e Direita
Antes de prosseguir é conveniente definir o que se entende por Esquerda e Direita, caso contrário corre-se o risco de que os textos se tornem ambíguos.

Tradicionalmente os conceitos de Esquerda e Direita estão associados sobretudo com modelos económicos de desenvolvimento e ao papel do Estado sobre a economia. Assim, poderemos começar por, em primeira aproximação, definir "Direita*" (o asterisco indica tratar-se de uma primeira aproximação) como o modelo em que o Estado não intervém sobre a economia e deixa que tudo (ou quase tudo) seja regulado pelas leis do mercado. A "Esquerda*" será o modelo em que tudo é controlado pelo Estado podendo, em caso extremo, estar as próprias empresas na posse do Estado. De fora fica a chamada "Extrema Direita", cujo modelo de aproxima do modelo da Extrema Esquerda.

Depois podemos considerar os tipos de regime. Os regimes totalitários tentam controlar tudo e, como tal, estão próximos da Esquerda*. Porém nada impede que um regime totalitário permita economias de mercado ou que um governo de Esquerda* possa aceitar as regras democráticas. Assim, em vez de Esquerda e Direita teremos quatro possibilidades: A Esquerda* Autoritária, a Esquerda* Democrática, a Direita* Democrática e a Direita* Autoritária.

Se passarmos ao sistemas sociais temos também dois modelos: Um modelo do Estado-Providência, em que o Estado providencia aos cidadãos tudo o que eles necessitam, desde a saúde à segurança social, e um modelo no qual os cidadãos tomam conta de si e se acautelam através de seguros pessoais ou recorrendo à segurança social por conta própria. O primeiro está usualmente mais associado à economia de Esquerda* e o segundo mais à de Direita*, mas tal não é forçoso. Numa economia de mercado um Estado pode perfeitamente funcionar como Estado-Providência** cobrando para isso os impostos adequados, ou num Estado com forte controlo sobre a economia, a protecção social por seu pode ficar a cargo do indivíduo. Teremos assim uma nova divisão, agora em modelos "Providentes" e "Individualistas".

** Nota: Para evitar confusões, convém aqui esclarecer que no blog "Barnabé - O blog que a Direita detesta" o "Estado-Providência" é designado por "Estado-Previdência".

E as divisões continuam. No que diz respeito à rigidez das leis e da acção policial poderemos falar em modelos "Permissivos" ou "Repressivos", no que diz respeito aos costumes e tradições poder-se-á falar em modelos "Progressivos" ou "Conservadores" e aí por diante.

Note-se porém, que em cada uma destas "divisões" não existem apenas as duas possibilidades mencionadas, pois existe uma infinidade de situações intermédias.

Assim, cada modelo político, no que diz respeito a cada uma destas "divisões" poderá oscilar numa ou noutra direcção. Em matemática, as "divisões" independentes segundo as quais um sistema pode oscilar são designadas por "dimensões". No exemplo acima, o sistema tem cinco dimensões e são necessárias cinco variáveis independentes para o descrever. Mais dimensões poderão ser acrescentadas, até se considerar que são em número suficiente para descrever o sistema correctamente.

Quando se usa apenas uma variável (Esquerda ou Direita) para caracterizar um sistema político faz-se aquilo que em matemática se designa por "Projecção". Ou seja, a maioria da informação sobre o sistema perde-se, e coisas que aparentam ser iguais podem na realidade ser muito diferentes.

Por exemplo: Consideremos um modelo de Esquerda*, Democrático, Providente, Repressivo e Conservador e outro de Esquerda*, Autoritário, Individualista, Permissivo e Progressivo. Ambos são modelos de Esquerda*, mas na realidade o segundo é mais semelhante a um modelo de Direita*, Autoritário, Individualista, Permissivo e Progressivo.

Com isto é finalmente possível definir o que é a Esquerda: A Esquerda é um conceito vagamente difuso e altamente confuso, correspondente a um modelo em que provavelmente o Estado controla a economia, eventualmente democrático, onde possivelmente existe uma forte ou fraca acção social, talvez permissivo e quem sabe progressivo.

Como corolário, é possível concluir que quando alguém afirma convicto "Eu sou de Esquerda", sabe o que está a dizer.


publicado por thestudio às 01:22
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