Terça-feira, 28 de Junho de 2005
O papá, os putos e o triciclo.
Era uma vez um senhor que nasceu pobre. O senhor era no entanto muito trabalhador e, fruto dos seus esforços, conseguiu juntar algumas economias. Um belo dia, os seus dois filhos, o Francisquinho e o Jerónimozinho, decidiram que queriam um triciclo especial de corrida cada um. O pai, que era um homem sensato, não achou por bem gastar em triciclos dinheiro essencial ao bom funcionamento da casa. O problema foi que as crianças não desarmaram: gritaram, pularam, treparam pelas paredes, puxaram cabelos, partiram vidros, enfim, fizeram a vida negra a toda agente lá no prédio. Finalmente o pai cedeu à chantagem e comprou um triciclo a cada um.

Comentando a compra dos triciclos, o pai explicou aos colegas que, fruto de muito trabalho e de muito suor seu, conseguira juntar dinheiro com que proporcionar esta alegria às crianças.
No jardim-escola, a história contada era bem diferente. O Francisquinho e o Jerónimozinho explicavam a quem os quisesse ouvir que, a compra dos triciclos era tão somente mérito da sua luta. Se não tivessem causado distúrbios, se não tivessem partido vidros, não teriam conseguido os triciclos. Os triciclos e os bens em geral, na sua óptica, conseguem-se fazendo birras e destruindo património.


Serve esta pequena história para ilustrar a tese do intelectual ex-barnabé Daniel Oliveira, segundo a qual se vive hoje melhor na Europa que há um século atrás devido às greves e aos distúrbios causados pelos comunistas. Segundo ele, é recorrendo à arruaça que as condições de vida melhoram. Esquece-se o rapaz (ou talvez os seus princípios ideológicos o impeçam de ver) que as “conquistas dos trabalhadores” se devem antes de mais a um aumento da produtividade e da criação de riqueza, a qual em última análise lhes possibilitou auferir de salários mais elevados bem como outras regalias. Se assim não fosse, aos povos famélicos de África bastar-lhes-ia fazer greves e teriam o problema da pobreza resolvido.

Imagine-se pois, o que não seria de um país onde os clássicos comunistas ou a sua versão moderna de fumadores charros chegasse ao poder. Em vez de trabalhar, a população passaria o tempo em greves, manifestações e revoluções (no caso dos trotskistas até haveria revoluções diárias) e nada se produziria no país. É por isso que fome e miséria sempre apareceram associadas ao comunismo.


publicado por thestudio às 05:48
link do post | comentar | favorito

5 comentários:
De Elise a 28 de Junho de 2005 às 16:33
O D.O. fez algum comentário ao que se passa no Vietname? E à aproximação ao capitalismo e aos EUA?

Não convém comentar, pois não?? ;)


De bastonadasnacionais a 28 de Junho de 2005 às 12:08
Casimiro Moreira,

Parabéns pelo seu excelente comentário!

Meu caro The Studio, espreite a resposta ao post (3ª lição), do blog;
http://www.ignorante2005.blogspot.com/

É capaz de achar piada!

Saudações...


De Casimiro Moreira a 28 de Junho de 2005 às 10:52
Sou um português emigrado na Polónia e casado com uma cidadã polaca; estando a viver num país que foi em tempos socialista (os polacos tinham um sistema socialista pró-sovietico) e convivendo com pessoas que viveram durante esse regime confirmo que o comunismo e todos os ideais utópicos socialistas foram nada mais que um embuste, dividindo a Europa artificialmente e bloqueando o progresso em todos estes países da Europa Central e de Leste.

Na realidade polaca o socialismo era comparado a um rabanete, vermelho por fora e branco por dentro, e assim foi em todos os outros países da dita "cortina de ferro".
Os russos mantinham forças e quarteis militarizados para conter e controlar toda a oposição ao seu imperalismo mascarado de humanitarismo. Pior que tudo, e difícil de imaginar para nós portugueses, eram as interminaveis filas de espera para comprar fosse o que fosse, os racionamentos de comida e o sistema de cupões.

Era comum nesses tempos as donas de casa passarem a noite em frente a uma loja estatal para, por exemplo, comprar leite ou pão, e no fim uma parte delas ia para casa de mãos a abanar porque já haviam esgotado os artigos. Solução? O mercado negro, a obtenção dos produtos "na lewo" ou seja "à esquerda" que é como quem diz na candonga.

Um carro de merda como um Fiat 126 ou um Fiat 125 não eram para a maioria e as listas de espera chegavam a ser por vezes mais de 4 anos. Quando finalmente surgia a oportunidade tinha que se pagar a pronto um carro que em dois anos estava a enferrujar e a verter óleo do motor, pois controlo de qualidade era algo que nem se pensava. Carros melhores eram para os senhores do partido e militares ao serviço dos fantoches governamentais.

Aliás esses até tinham possibilidades de adquirir uma casinha na praia, ou um casarão dependendo da importância, e tinham direito a passaporte.
Algo tão simples como um par de sapatos eram dados pelo governo especialmente no dia do casamento e depois guardados com cuidado para não se estragarem pois não era fácil comprar outros.

Os canais televisivos e radios eram o poder propriamente dito, só transmitindo programas que ou não interesavam a ninguém na sua generalidade ou propaganda, à parte de alguns programas onde se discutiam temas intelectuais "a medo" claro.

A partir das sete da tarde se se saísse à rua tinha-se quase de certeza uma patrulha a pedir documentos e a perguntar o motivo do seu passeio, era perigoso para o governo central ter pessoas na rua durante a noite, e escusado será dizer que algumas nunca mais apareceram.

Depois fizeram da reconstrução do país o "leit motif" de existir, de ser polaco e de ser um trabalhador, quanto mais se trabalhava braçalmente melhor pessoa se era e mais digno. Muitas crianças achavam que os pais não deviam ser professores ou contabilistas ou ter um trabalho intelectual mas sim trolhas ou metalurgicos.

O russo era obrigatório nas escolas até à quarta classe e odiado por toda a gente, professores incluído (na Polónia ainda mais, pois os nazis uns anos antes haviam proibido o polaco) tal como aulas de defesa pessoal contra os imperalistas!

Construiram blocos de apartamentos tipo colmeia e fizeram disso a pedra de toque do socialismo (listas de espera de 10 15 anos, acabamentos quase nenhuns, favorecimento nas listas, aquecimento deficiente sendo preciso comprar melhores radiadores), desenvolveram a capital e o resto do país ainda hoje tem estradas principais que parecem as nossas EN de 35 anos atrás, sustinham empresas falidas e mantinham stocks absurdos em alguns artigos e noutros não tinham disponíveis, toda a gente tinha emprego (que bom!) mas na maioria mal dava para comer, não haviam sindicatos nem negociações salariais e protestos eram reprimidos com pancada.

Depois foi preciso entreter as massas, sovietizar e ateiezar um país católico devoto. Quem ia à igreja era impossibilitado de subir na vida (haviam bufos como no salazarismo para denunciar os opositores ou os descontentes) e nada melhor que a vodka e cigarros baratos para entorpecer as mentes dos "trabalhadores". Resultado? Alcoolismo acima da média nestes paises e tabagismo elevado ainda hoje em dia.

Todas os movimentos que se insurgiam contra o regime eram pura e simplesmente reprimidos e seguidos de uma caça às bruxas, uns eram torturados pela polícia secreta, outros desapareceram sem deixar rasto, alguns apareceram mortos, como Popieluszku, e outros foram deixados viver como Walensa, por ser conhecido, mas só por isso.

Sempre que os problemas estruturais, económicos e socias eram latentes, arranjavam-se bodes expiatórios. Na década de setenta foram os judeus polacos a serem de novo chamados à pedra, eles tinham deixado o país chegar ao estado em que estava, eles eram o bloqueio na engrenagem socialista. Deram-lhes bilhetes de avião para Israel mas só de ida e os problemas ainda mais se agravaram na década seguinte.

Uma vez perguntei a uma senhora de idade o que mais notou quando o socialismo acabou na Polónia, respondeu-me que se começaram a ver pessoas a remexer no lixo e a pedir nas ruas...

Foram 44 anos de mentira, opressão, desinformação, perseguição e domínio, penso que teria sido assim no nosso país se o socialismo ou marxismo-leninismo se tivesse instalado. Depois temos hoje em dia partidos que ainda fazem destas "filosofias" as bases da sua ideologia.

A Polónia conheceu o verdadeiro desenvolvimento a partir de 1989, quando abriu a sua economia ao exterior e se deram as primeiras privatizações, é evidente que hoje em dia ainda há muito por fazer, o desemprego é elevado (devido ao colapso das empresas estatais) e a classe política está desacreditada.

Confesso que quando começei a perceber o que realmente se passou nestes países e a lembrar-me dos discursos dos nossos comunistas e esquerdas vermelhos até tremi de indignação. A esquerda socialista, comunista e ultra, foi, é, e sempre será uma utopia e deu provas suficientes da sua inoperância no nosso continente.




De bastonadasnacionais a 28 de Junho de 2005 às 09:14
:) Ainda agora se está a passar a mesma coisa... sindicatos, greves, exigências... mas não me parece que a organização comuna dos sindicatos vá trazer grande riqueza ao País e aos trabalhadores, vai isso sim emperrar a inevitável baixa de nivel de vida de alguns grupos com previlégios que nunca deveriam ter sido concedidos desorganizadamente, como o foram, assim que se deu o 25 de Abril e daí em diante, por toda a cambada de (des) governantes que se foi instalando no poder.


De Armando Jorge a 28 de Junho de 2005 às 05:56
Neste exemplo dos trabalhadores o mérito não será obviamente de apenas uma causa. Nem somente greves nem somente criaçao de riqueza... A opção por uma causa apenas demonstrará apenas talvez uma mente minada por fundamentalismo politico aliada à preguiça para realmente pensar que tudo isso se deveu a uma conquista histórica, quer pelas greves, aumento da produção e pela crise de 1929...


Comentar post

Contacto

 thestudio@sapo.pt

pesquisar
 

PARTIDOS DEMOCRÁTICOS PORTUGUESES:

_______

 BLOGS

Abrupto
Anjos e Demónios
Arrastão
Atlantys

 

Biblioteca de Babel
Bichos Carpinteiros
Biodesagradaveis
Blasfémias
Blog Anti blog
Boas intenções

 

Causa Nossa
Cegos Surdos e Mudos
Cinco Dias
Confraria do Atum

 

Demokratia
Diário de uma Boa Rebelde
Do Portugal Profundo

 

Faccioso

 

Gengibre Lilás
Grande Loja do Queijo Limiano

 

Império Lusitano
Impertinências
It's a Perfect Day Elise

 

Jardim do Arraial

 

Legião Invicta
Letras com Garfos
Lusitânia 88

 

Máquina Zero

 

Nova Frente

 

Observatório da Jihad
O Carvalhadas
O Crepúsculo
O Comunista
O Fogo da Vontade
O Insurgente
O Número Primo
O Triunfo dos porcos
O Velho da Montanha

 

Pena e Espada
Pictured Words
Política Maluca
Portvgvesa
Propriedade Privada

 

SG Buiça
Soberania e Nacionalismo
Some like it hot

 

The Flying Circus
Tomar Partido 2
Trinta e um da Armada

 

Último Reduto

 

REST IN PEACE
All pigs must die
Batalha final
Blog17
Blog Anti-Anacleto
Demokratia (antigo)
Dextera Vox
Galeria dos Horrores
O Número Primo (antigo)
Semiramis
Tomar Partido
posts recentes

...

Melhor marcador do Euro 2...

Euro 2012 odds

Xadrex Comb. (1)

A um amigo que discorda (...

Aventuras do Eng. Pinóqui...

Hello Boys !!

Assim vai Portugal

Acampamento de jovens do ...

Coincidências

arquivos

Junho 2012

Junho 2011

Outubro 2010

Setembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Março 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Outubro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

blogs SAPO
subscrever feeds

RSSPosts

RSSComentários

RSSComentários do post