Quarta-feira, 28 de Junho de 2006
Jornalismo de causas
Longe vão os tempos em que as funções de um jornalista se limitavam às de transmitir informação concisa aos seus leitores, de uma forma objectiva e imparcial. Esses jornalistas antiquados dos velhos tempos, que primavam pela idoneidade e pelo rigor jornalístico, estão hoje completamente “demodés”. Nos tempos que correm, um bom jornalista é um jornalista de causas. É aquele, não que informa, mas sim que educa os seus leitores. Aquele que molda convenientemente o pensamento dos leitores. Aquele que manipula as opiniões dos leitores por forma a que estes nunca emitam opiniões moralmente incorrectas. O jornalista moderno é pois um educador das massas.


O jornalismo de causas, para causar um maior impacto, aparece normalmente associado ao chamado jornalismo de investigação. É aqui que o jornalista arrisca a própria vida para se infiltrar nos submundos que pretende investigar, mas dos quais emerge com as mais sensacionalistas descobertas. O resultado das suas investigações é então publicado num artigo de opinião ao qual denomina “reportagem”.


Há dias, o país foi surpreendido por uma alarmante reportagem publicada no semanário Expresso, a qual denunciava ligações do perigoso PNR ao Irão, e anunciava ainda que este partido estaria a preparar uma manifestação para negar o Holocausto. Enquanto aguardávamos sentados por essa famigerada manifestação que tarda em acontecer, foi publicada mais uma brilhante peça de investigação jornalística intitulada “alerta skin”, desta vez na revista Visão. A peça começa com um comovente relato de suspeitas de tráfico de armas e licenciamentos fraudulentos que recaem sobre um grupo de pessoas no qual poderão estar incluídos elementos dos chamados “Hammer-Skins”. Por seu turno, estes Hammer-Skins são suspeitos de ter eventuais ligações com a Frente Nacional. Ora, como se sabe, alguns elementos frente Nacional são simpatizantes do perigoso partido PNR. Após ler a reportagem, qualquer leitor fica com a sensação de que o PNR está a traficar armas, mesmo que isso não esteja explicitamente lá escrito. É este o verdadeiro jornalismo!


O verdadeiro jornalista é também aquele que argumenta a meio da notícia, entrando num jogo no qual é simultaneamente jogador e árbitro. Deve, por exemplo, “informar” que o PNR não tem razão sobre a situação na África do Sul, pois foram os Portugueses que escolheram viver nas zonas mais perigosas do país. Isto não é uma opinião, é uma informação.


Mas as sensacionais descobertas da equipa de jornalistas da Visão não se ficaram por aqui: Descobriram também, por exemplo, que o “skinhead” Mário Machado é um destacado dirigente do PNR e descobriram ainda que existe uma organização denominada PNR/FN. A veracidade destes factos é de somenos importância.


O momento alto destes intrépidos jornalistas foi porém quando conseguiram provar que o PNR é uma organização fascista, através de uma minuciosa e sagaz análise ao símbolo do partido.

facho6.jpg


O símbolo do partido é, como se pode ver, uma chama semelhante ao facho olímpico. Ora, um apurado exercício intelectual permitiu então elaborar o seguinte raciocínio: Chama-> Facho -> “Fachismo” -> Fascismo. Até esta descoberta, o símbolo do Fascismo sempre fora o “fascio”, um machado com o cabo rodeado de varas.


Há portanto que felicitar o activismo, perdão, o jornalismo da Equipa Visão. Parabéns.


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Apenas para que conste, e por incrível que pareça, no estatuto editorial da Visão pode ler-se o seguinte:

4. VISÃO rege-se, no exercício da sua actividade, pelo cumprimento rigoroso das normas éticas e deontológicas do jornalismo;

6. VISÃO pauta-se pelo princípio de que os factos e as opiniões devem ser claramente separados: os primeiros são intocáveis e as segundas são livres.


publicado por thestudio às 02:29
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Terça-feira, 20 de Junho de 2006
Parlamento Europeu insta Portugal

Há alguns dias, o país foi surpreendido com a notícia de
que o Parlamento Europeu instara Portugal a que punisse os autores do homicídio
do “trans-qualquer-coisa” Gisberto ou Gisberta, ocorrido da cidade do Porto.
Incrédulo, apenas após a repetição do noticiário acreditei no que ouvira, afinal
era mesmo verdade...


"O Parlamento insta as autoridades
portuguesas a fazerem tudo o que estiver ao seu alcance para punir os
responsáveis e combater o clima de impunidade em relação a este e a outros
crimes motivados pelo ódio", sublinham os eurodeputados
.”



http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1261024






Diga-se em abono da verdade que esta enormidade ultrapassa
tudo o que se poderia esperar de um órgão de soberania, pelo menos de um órgão
que queira ter mais credibilidade que os Gatos Fedorentos. Um homicídio, seja
ele de quem for, é abrangido por uma moldura penal que pode atingir 25 anos de
prisão, a pena máxima aplicável em Portugal. Que mais poderá o Parlamento
Europeu querer? Que sentido faz afinal, ”instar a punir um crime” que já é
punível com a pena máxima e cujo processo decorre já nos tribunais? Pensei
então, que alguém no Parlamento Europeu não estaria no seu perfeito estado de
saúde mental. Uma visita ao “blog” foi suficiente para tudo esclarecer. Aí pode
ler-se, pela pena ou pelas teclas de Ana Gomes que:


“Nessa resolução eu introduzi a
referência ao assassinato de Gisberta.

Porque não desvalorizo as implicações de grave doença social que tal crime,
ainda por cima cometido por crianças, demonstra.
”


(Ana Gomes)




Ana Gomes, no seu fanatismo politicamente correcto, quer
sobrepor a sua vontade às leis do país, aos tribunais competentes, ao que quer
que lhe apareça na frente. Não interessa se são crianças, não interessa se há
provas, não interessa o que quer seja. O crime foi cometido sobre um “trans-não-sei-o-quê",
o que segundo a religião politicamente correcta é pecado:  alguém terá que
ser punido.



publicado por thestudio às 04:50
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2006
Deus nos proteja da Paridade (II)
"Alguém tem dúvidas de que eu - caída de paraquedas na política em 2002 - alguma vez teria sido integrada na lista europeia do PS, em 2004, se não fosse a determinação do então Secretário-Geral Ferro Rodrigues de me incluir e de se valer do sistema de quotas que, pela primeira vez, fez aplicar no Partido para me colocar no lugar elegível na lista em que fui apresentada ao voto do eleitorado?"

Ana Gomes in "Causa Nossa"


Esta é a prova viva do desastre a que pode conduzir um sistema de quotas.


publicado por thestudio às 22:14
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Ana Gomes disserta sobre paridade (I)
Desde o recente veto presidencial, que avidamente tenho visitado o blog "Causa Nossa" na esperança de me poder deliciar com as opiniões da inexcedível escriba que dá pelo nome Ana Gomes. Desta última vez, não saí defraudado nem decepcionado: Ana Gomes continua ao nível que a consagrou.

Começa esta intelectual impar por dissertar sobre a Ordem dos Médicos e as carreiras de magistratura e diplomacia. Até aqui tudo bem, não são necessárias quotas, funciona a “meritocracia”*. Mas depois passa-se para esse mundo obscuro que é a política e aqui é que a porca torce o rabo: Mulheres na política são muito poucas. A nossa Ana Gomes poderia optar por apresentar alguma justificação complexa para o facto, como por exemplo, que pela sua natureza as mulheres não se sentam tão atraídas pela ambição do poder e prefiram seguir outro tipo de carreiras como a de médica ou advogada em detrimento da carreira como política. Mas não, a mente brilhante Ana Gomes faz da simplicidade a sua arma e sem meias palavras denuncia a verdadeira máfia patriarcal que controla o mundo da política. Uma espécie de conspiração internacional, transpartidária e quem sabe com ligações à Opus Dei, que tem por objectivo manter as mulheres afastadas de qualquer cargo político. Uma espécie de Maçonaria ou sociedade secreta do tipo Priorado do Sião, tão secreta mas tão secreta que nunca ninguém ouviu falar nela, mas que mexe todos os cordelinhos. E sendo assim, não há competência que valha às mulheres.

José Sócrates desempenha neste jogo o papel de uma espécie de agente duplo que dá para os dois lados. Por um lado, é ele o tentáculo mais visível dessa Sociedade Secreta Anti-mulher que desferiu um golpe terrível no “lobby feminista” ao escolher apenas duas mulheres para ministras (e sabe Deus com que sacrifício). Por outro lado, é ele o paladino que se esforça desferir um golpe fatal sobre essa obscura Sociedade Secreta ao tentar impor o conceito de quotas.

Quanto a forças políticas, apenas o Bloco de Esquerda e a ala fumadora de charros do PS estão a favor, e está tudo dito.


* Meritocracia: Com base no mérito (neologismo de invenção muito recente).


publicado por thestudio às 22:02
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Estamos mal...
A concentração das forças de segurança prevista para hoje foi cancelada...
POR FALTA DE SEGURANÇA...

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=231388

Se nem concentrados como o Super-Pop Limão conseguem garantir a segurança, o que fará dispersos...


publicado por thestudio às 20:45
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Terça-feira, 6 de Junho de 2006
Imigração... dá lucro? A quem?
O governo Britânico pagou nos primeiros quatro meses deste ano cerca de 6 milhões de libras a 1956 imigrantes ilegais, como incentivo para que estes regressassem aos seus países de origem de livre vontade, anunciou ontem o ministro da Imigração Liam Byrne. Caso não o fizessem, o custo de manter os imigrantes em centros de acolhimento até ao processo de deportação estar completo seria quatro vezes superior.

Afinal, se precisamos de imigrantes e de quantos mais melhor, como apregoam por aí alguns candidatos a intelectuais, como se compreende que o governo Britânico gaste milhões de libras para repatriar um número insignificante deles (em termos percentuais)?


publicado por thestudio às 22:48
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Marcelo Rebelo de Sousa critica Cavaco Silva
O inefável crítico literário e comentador político, Marcelo Rebelo de Sousa, apontou este fim de semana baterias contra o Presidente da República a propósito do seu veto sobre a lei da Paridade. Segundo o analista não está em causa o veto, mas sim a justificação para tal veto. Tratou-se, em entender do entendido, de um veto político com base num argumento de Direito.

Confesso que, não sendo eu nenhum especialista em Direito, me custa a perceber porque razão a justificação do Presidente é classificada como de Direito: Afinal, existe alguma relação óbvia entre a dificuldade dos pequenos partidos constituírem listas e as leis do país? Na minha ingenuidade não vejo nenhuma.
Mas é o facto do Professor Marcelo classificar a decisão do Presidente da República como sendo uma decisão política o que mais me espanta. Afinal, as decisões de vetar ou não, leis aprovadas no parlamento, não são sempre decisões políticas? Deveria o Presidente da República tomar uma decisão judicial? Afinal, que esperava o Professor Marcelo?

O único comentário que me apraz fazer a este respeito, é o de que Marcelo Rebelo de Sousa tem perfil para Ministro dos Negócios Estrangeiros de um governo PS...


publicado por thestudio às 22:14
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Segunda-feira, 5 de Junho de 2006
Paridade: Cavaco Silva trava fúria politicamente correcta
O Presidente da República, Cavaco Silva, vetou a lei sobre paridade, aprovada no parlamento pelo Bloco de Esquerda e pela namorada do José Sócrates. Este veto deixou furibundos os artífices do Politicamente Correcto, mas em boa verdade, Cavaco Silva não podia fazer outra coisa.

Antes de mais, o argumento usado por Cavaco Silva para vetar a lei é válido. Afirmou ele que esta lei constituiria uma limitação para a democracia visto que em regiões mais despovoadas, os partidos mais pequenos não iriam conseguir constituir as suas listas vendo-se assim impedidos por lei de participar em actos eleitorais (a lei vetada exigiria um mínimo de 33% de mulheres na composição das listas).

Ora o que mais enfureceu aqueles que querem ditar o Politicamente Correcto foi que, havendo vários argumentos muito fortes, Cavaco se tenha decido por recorrer a um argumento menor. Fernando Rosas, por exemplo, estava incrédulo pelo facto de Cavaco Silva não ter sequer posto em causa a constitucionalidade da lei. E aqui chegamos ao ponto de partida: Esta lei é evidentemente inconstitucional, tão inconstitucional que até os pequenos ditadores que a querem impor têm consciência disso. A constituição diz que ninguém pode ser preferido ou preterido em virtude do sexo a que pertence, enquanto a lei vetada impunha o género como factor determinante para a escolha. Não há sequer discussão possível sobre a não constitucionalidade da lei.

Mas o mais grave desta lei nem é a sua inconstitucionalidade. É o facto de passar um atestado de incompetência e de burrice ao género feminino. Para os defensores desta lei, a mulher não tem capacidade para competir com o homem pelos lugares, pelo que esses lugares lhe devem ser atribuídos por lei. Dirão que há mulheres competentes para ocupar tais lugares. É verdade, mas essas mulheres chegarão lá por mérito próprio e sem precisar de uma lei que lhes atribua o lugar.

Felizmente para as mulheres, Cavaco Silva poupou-lhes uma humilhação.


publicado por thestudio às 22:42
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Sexta-feira, 2 de Junho de 2006
A França de novo em guerra
Noite de Domingo para Segunda Feira:

Last Sunday evening about thirty members of Tribu Ka, armed with bats and sticks, staged a march through the Rue de Rosiers in the historic Jewish quarter of Paris, shouting “Death to Jews” and “Let the Jews fight us if they dare!”

According to a Jewish source a senior police officer, called to account by angry inhabitants of the Rue de Rosiers, said that the police “had received instructions from the top not to intervene.”

http://www.brusselsjournal.com/node/1094


De Segunda para Terça...

PARIS: Around a hundred youths clashed with French police overnight after setting fire to cars and rubbish bins in a Paris suburb that was the scene of violent riots last November, a local official said today.

Seven police officers were slightly injured and six youths were arrested in a neighbourhood of Seine-Saint-Denis in confrontations that started around 2030 GMT on Monday evening (8.30am NZT Tues), according to a security official from the suburb to the north of the French capital.

http://www.stuff.co.nz/stuff/0,2106,3684940a12,00.html


E de Terça para Quarta...

Nouvelle nuit de violence en Seine-Saint-Denis, à Montfermeil et Clichy-sous-Bois. Quatre policiers ont été légèrement blessés, une dizaine de voitures brûlées

http://www.liberation.fr/page.php?Article=386445


publicado por thestudio às 00:21
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