José Sócrates pode ter muitos defeitos, mas também tem as suas virtudes. Por exemplo, contribui para a divulgacão de ditos e provérbios populares. Neste caso particular, "cada cavadela sua minhoca" tem-se ouvido diariamente nos tempos mais recentes, o que é bom, para evitar que estes ditos caiam no esquecimento. J. Pacheco Pereira escreveu no Abrupto que o adubo deve ser muito bom. Eu acho que não deve ser tanto o adubo, aqueles terrenos para aqueles lados é que devem ter muitas minhocas. O melhor mesmo é não dar cavadelas.
Daniel Oliveira é um jornalista que se bate pela isenção, pela idoneidade e pelo rigor no jornalismo Português. Mas é também um homem de causas, que se bate contra as generalizações que associam grupos inteiros de população a actos individuais, e que se bate também contra os discursos de ódio.
Depois do amplo destaque dado no Arrastão à publicação repetida em 2009 de uma peça de propaganda travestida de notícia já publicada em 2007, o Daniel Oliveira volta a dar o bom exemplo.
Desta vez foi desenterrar um caso com mais de 20 anos, o caso do activista de Extrema Esquerda, José Carvalho, esfaqueado mortalmente por um teenager skinhead durante uma rixa. Esfaqueamentos mortais pelas razões mais ignóbeis acontecem todas as semanas, mas só este, já cheio de teias de aranha, é que serve os propósitos do bom jornalismo. A partir de aí, o Daniel Oliveira envereda por um discurso de ódio contra "eles". "Eles matam", é o título do seu texto. Mas eles quem? Eles os "fássistas", nos quais o Daniel me inclui apesar de eu ter sobre os skinheads a mesma opinião que tenho sobre os seus equivalentes de Extrema Esquerda que estão no partido do Daniel. É irrelevente, tudo serve para diabolizar os "fássistas".
Se a coerência parece não ser o forte do Daniel, o rigor jornalístico que ele tanto preza é o que se vê. No corpo do texto, o Daniel afirma que os criminosos que assassinaram o José Carvalho estão no PNR. Nos comentários reconhece que o assassino era apenas um e o seu paradeiro é desconhecido. Afinal está tanto no PNR como no BE. O Daniel consegue fazer o ministro da Propaganda do Iraque no tempo do Saddam Hussein parecer uma pessoa isenta e rigorosa, quando afirmava que os Americanos haviam sido repelidos e pelas janelas já se viam os tanques americanos em Bagdad. E vá lá que se bate pelo rigor, imaginem se não o fizesse.
Todos os argumentos do "não" são em última instância de uma violência fundadora. Na modernidade de uma metafísica autoritária, um universo normativo que nos interpela exige uma apropriação crítica das tradições. Quem é contra o casamento gay é fássista, perdão, homófobo.
Era uma vez a menina do capuchinho vermelho. Lá em casa só ela usava capuchinho vermelho. Um dia chegou o lobo mau e comeu-a. Era uma vez um velhinho de barbas brancas. Ele era diferente de todos os outros velhinhos. No Natal só ele levava prendas às crianças. Um dia caíu do trenó. A menina do capuchinho vermelho e o Pai Natal eram a favor do casamento gay.
O boy João Galamba, em quem tentei votar para lambe-botas do ano mas não foi possível dado estar comprometido com o PS, regrediu até à mais primitiva forma de luta. Não lhe chamo argumentação porque insultar quem tem opiniões diferentes não é argumentar, é insultar. Antes berrava-se contra os fássistas. Adaptando à causa da moda, berra-se contra os homófobos.
As histórias da menina Isabel são bonitas e comoventes, mas como é óbvio carecem de qualquer sentido. Todos nós somos diferentes em alguma coisa e a maioria de nós é contra o casamento gay. Logo, ser diferente não implica defender o casamento gay.
Corrupção Autárquica, Armando Vara deposita confiança total em Fátima Felgueiras.
O que une António Preto e José Sócrates?
O Daniel Oliveira acha que a questão do casamento gay é uma questão que se resolve em duas horas, com os deputados aprovando a lei à má fila nas costas dos Portugueses. Portanto, primeiro aprova-se a lei em duas horas e depois pensa-se na crise económica.
Acontece que as coisas não assim. Uma lei polémica como esta inevitavelmente geraria forte contestação e intermináveis debates na televisão. Durante muito tempo não se falaria noutra coisa, relegando os graves problemas que o país atravessa para segundo plano. Mas mesmo que o parlamento "resolvesse a questão" em duas horas, só restaria ao Presidente da República vetar uma lei contra a qual a larga maioria dos Portugueses estão em desacordo. E então a discussão sobre a lei daria lugar a uma nova discussão desta vez sobre o veto.
A fórmula foi primeiro descoberta pela indústria discográfica. Meninas jovens, sorridentes e fotogénicas. O facto de não saberem cantar era um pormenor. Assim surgiam as "girls bands" e grandes sucessos de vendas.
O Bloco de Esquerda adaptou a ideia à política, e desta forma umas moças simpáticas vistosas e sorridentes, com destaque para as pioneiras Ana Drago e Joana Amaral Dias, começaram a povoar a Assembleia da República. O facto de serem cabecinhas ocas era um pormenor. O produto vendia e conquistava votos, sobretudo entre a juventude.
Como o PCP copia tudo o que o Bloco de Esquerda faz, em particular os maus exemplos, foram arranjar também umas "cheerladers" para enfeitar as bancadas do parlamento. É neste contexto que surge a deputada Rita Rato, a nova estrela da política nacional, que ontem mesmo brilhou no programa juvenil do Pedro Granger onde mandou uns "sound bites" sobre política no meio de um grupo de adolescentes.
A entrevista que catapultou a Rita para os píncaros da fama foi no entanto esta entrevista. Na ingenuidade das suas vinte e seis primaveras, a novel deputada revela uma completa ignorância sobre os inúmeros crimes cometidos pelo Comunismo, matéria essa, que como muito bem explicou, não foi leccionada no curso de Ciência Política e Relações Internacionais que frequentou.
Agora que a festa do Avante já não rende o que rendia, a Rita bem que se podia juntar às suas camaradas Ana e Joana do Bloco, e porque não também a eurodeputada Marisa, para dar uma mãozinha. Com umas mini-saias, uns decotes generosos, aos saltinhos numa coreografia bem ensaiada, uma nova interpretação desta música seria êxito garantido.
"Estar vivo é o contrário de estar morto"
Lili Caneças
"A única forma de combater o desemprego é criando emprego"
Rita Rato
A deputada Rita Rato esteve hoje naquele programa de adolescentes do Pedro Granger na TVI 24. Destacou-se pelos seus dotes de oratória no meio daquela miudagem. E não se atrapalhou com a matéria dos "gulags", ninguém lhe perguntou sobre essa experiência dos camaradas soviéticos.
O mais recente painel do programa de debate da RTP-N "Directo ao assunto" é composto pelo progressista Carlos Amorim, pela fundadora do BE Joana Amaral Dias e pelo também fundador do BE Miguel Vale de Almeida. Perante tal pluralidade de ideias, imagine-se como será um debate sobre temas quentes como por exemplo o casamento homossexual,
CAA: Eu sou todo, completamente, 100%, 200% a favor do casamento gay.
JAD: Eu sou ainda mais, muito muito mais que o CAA a favor do casamento gay.
MVA: Eu sou gay, eu sou gay, eu sou gay.
O lider de um grupo parlamentar que nega a Israel o
direito a existir e que defende o extermínio de Israel
Acabei de descobrir nos comentários do blog 5 dias porque razão Santana Lopes é um perigo para a cidade de Lisboa. Se ele ganhar, há o risco da Câmara deixar de apoiar as paradas gay.
PSD:
O PSD foi o partido mais votado e como tal o vencedor destas eleições. Mais importante que a sólida vitória conseguida é o facto de agora se poder assumir como candidato à vitória também nas legislativas e como alternativa de governo.
PS:
O PS foi derrotado em toda a linha. A sua política foi chumbada pelo eleitorado, permitiu que o PSD se assumisse como alternativa de governo e a maioria absoluta está agora fora de questão.
BE:
O Bloco de Esquerda foi outro dos vencedores das eleições. Duplicou o número de votos e conseguiu 3 deputados. Aguarda-se com expectativa a evolução do BE a partir de agora.
PCP/PEV:
O Partido Comunista não apenas se aguentou de pedra e cal como ainda reforçou o número de votos. É certo que perdeu o terceiro lugar em número de votos por uma pequena margem, mas isso não tem qualquer relevância. É também um dos vencedores destas eleições.
CDS/PP:
Foi outro dos grandes vencedores da noite até porque, ao contrário dos outros, jogava a sua sobrevivência quando as sondagens o davam como acabado. Teve um bom resultado e manteve os seus dois deputados.
PNR:
Quase duplicou o seu número de votos apesar da persegução política que lhe foi movida. Como é do conhecimento público, o seu líder encontra-me sob a medida de coação de Termo de Identidade e Residência no âmbito de uma queixa-crime apresentada pelo vereador José Sá Fernandes devido ao cartaz "Imigração, nós dizemos não" colocado em Entrecampos.
Um jovem, por certo bem instruído naqueles acampamentos do BE onde se fumam umas ganzas e se fazem lavagens cerebrais ministram módulos de educação cívica à juventude, saíu em defesa das teses do emplastro. Diz o jovem que,
"Rui Tavares não pede luxos, para os habitantes de bairros sociais, mas sim condições de vida minimamente dignas. A sociedade tem o dever de se nivelar a si própria e por cima."
Tanto quanto nos foi dado a ver na televisão, as casas na Quinta da Fonte parecem perfeitamente dignas. Os habitantes das referidas casas dispunham inclusivamente de play-stations e de TVs de plasma. Se essas não são condições dignas, o que são condições dignas? Já o Bairro da Bela vista foi descrito por uma moradora de Setúbal como um bom bairro (antes de chegarem os actuais moradores) ao mesmo tempo que a especialista em bairros sociais Fernanda Câncio escrevia nas páginas do DN que a Bela Vista se encontra integrada na malha urbana de Setúbal sendo um bairro ao qual nada falta.
Porém, reconheço que há em Portugal muita gente cuja habitação não tem condições dignas. Basta estar atento à comunicação social e ver as reportagens que se repetem sobre o assunto. Trata-se sobretudo de idosos que vivem em zonas antigas de quase todas as cidades e também de populações rurais quem vive em habitações sem um mínimo de condições. Mas esses, por alguma razão, estão fora da vista dos nossos grandes intelectuais de Esquerda.
No entanto, a pura repetição da cassete dos bairros sociais é apenas mais uma cretinice entre tantas. O que de facto a notabiliza aqui é a sua conjugação com as outras duas posições defendidas pelo futuro eurodeputado Rui Tavares. Uma, defendeu o direito de qualquer habitante de qualquer parte do mundo poder vir viver para Portugal e instalar-se nos nossos bairros sociais e depois disso, defendeu que Portugal se endividasse para melhorar as condições de vida nos bairros sociais.
Depois de defender a entrada livre em Portugal a quem muito bem lhe apetecer vir para cá, o emplastro apareceu segunda-feira no Prós-e-Contras a defender que Portugal se endivide para melhorar as condições de vida dos Bela Vistas, Quintas das Fonte, Covas da Moura e afins. Casa à borla, subsídios, bons carros, TVs de plasma, play-stations, não lhes chega. Precisam de umas vivendas com piscina e já agora umas odaliscas com uns leques e a fazer massagens. E podem vir todos, não há problema. Portugal endivida-se se for preciso, mas venham à vontade que não vos vai faltar nada.
Felizmente nem todos são racistas, como é o caso de um juíz do Barreiro que mandou libertar o Banana Afro-Português, membro de um perigoso gang, após ter sido detido em flagrante, alegando a sua tenra idade. Banana tem apenas 21 anos.
Concordo inteiramente com o juíz. Acho que até aos 79 anos todos se pode recuperar. A partir dos 80 é que é mais complicado. Recuperação poderá já não ter alguém em quem o Banana mande um tiro, mas estou certo que o juíz não o tem por vizinho, pode dormir descansado.
Ao ler este texto surge de imediato a questão do costume: será que as exigências vão incidir sobre a população cigana ou sobre a "população racista" ? Isto é, por exemplo, será que se vai pedir aos ciganos que conduzam habilitados de carta de condução, ou será que se vai pedir aos "racistas" que entendam as especificidades da comunidade cigana e que entendam que não é hábito deles tirar a carta de condução?
Portugal é um país com História. Temos o parque arqueológico do vale do Côa, temos as ruínas de Conímbriga e desde ontem temos também História viva. Na contagem dos votos referentes às Eleições Europeias foram encontrados dois partidos dos tempos do Estalinismo ainda vivos e com mais de 10% dos votos cada um deles. Tratam-se dos dois únicos casos ainda vivos no mundo civilizado, à atenção dos arqueólogos.
A Europa virou à Direita, Portugal virou à Esquerda. A Europa começa a sair da crise, Portugal está a afundar-se. bate certo, cada um tem o que merece.
Nas aparições públicas de Miguel Portas, cabeça de lista do BE às eleições europeias, é sempre visível um penduricalho lá atrás qual emplastro em versão feminina mas bastante mais fotogénica que o emplastro original. Com Ana Drago já gasta e Joana Amaral Dias carta fora do baralho, coube a esta estudante de sociologia, Marisa Matias de seu nome, as honras de cheerleader do espectáculo. A jovem perfuma a campanha com o seu charme: distribui sorrisos, acena ao povo, distribui propaganda e quiçá até dirá algumas palavras previamente ensaiadas.
O Bloco de Esquerda até pode não ter quaisquer ideias políticas, mas a sua máquina de propaganda política ninguém a bate. O uso da mulher como objecto decorativo produz sempre efeitos positivos mais que não seja para dar um pouco de cor a uma campanha cinzenta. Talvez com uns decotes um pouco mais ousados a jovem chamasse mais a atenção para as causas do BE, mas há que convir que mesmo assim bate aos pontos a Ana Gomes e restante concorrência. À Marisa desejo-lhe uma auspiciosa carreira política e de preferência que não abra muito a boca.
Os intelectuais do Bloco já descobriram uma nova causa fracturante. Trata-se do combate ao heterossexismo, um conceito recentemente inventado para suprir a escassez de causas e para entreter os sociólogos nos dias sem manifestações, e que foi dado à luz recentemente em Portugal pelo iluminado Bruno Maia que não sei quem é.
Mas afinal o que é o heterossexismo? A resposta é dada por Eduarda Ferreira, especialista em relações lésbicas: "refere-se à ideia de que a heterossexualidade é a orientação sexual “normal”". Acrescenta ainda a autora, que o heterossexismo não encara a homossexualidade como um dos aspectos possíveis na diversidade das expressões da sexualidade (eu gostava de escrever assim). Ora tod@s os que lêem o Esquerda.net, como é o meu caso, sabem que a heterossexualidade não é normal. Normal, normal são os LTGB.
Um outro site, de autor ou autora anónimo ou anónima, explica que o conceito não nos é familiar porque ainda é muito recente, e como tal ainda não foi leccionado nos acampamentos do Bloco, presume-se. O heterossexismo é-nos aqui apresentado como o cruzamento entre o sexismo e o racismo e não fala nos aspectos possíveis na diversidade das expressões.
Mais avançados vão os LGTB Brasileiros. Lá já existem palestras subordinadas ao tema "Lesbianidades, diversidade e enfrentamento ao heterossexismo”.
O combate ao heterossexismo é portanto uma causa que merece destaque e esperemos que o Bloco coloque rapidamente a questão na agenda política para que os nossos deputados não andem a perder tempo com palermices como a crise, o desemprego e a fome.
Lia-se pela blogosfera que Marinho Pinto teria assumido votar BE, o que é bem provável. Ontem à tarde, babavam-se loas a Marinho Pinto, o melhor dos advogados, no sítio do Bloco de Esquerda, o Esquerda.net . Mas o bastonário não sabia ficar calado e foi dizer que quem está descontente podia não votar como protesto, logo quando o BE tenta capitalizar os votos do descontentamento. Marinho Pinto foi logo fuzilado, e, ao melhor estilo Estalinista, o texto elogioso desapareceu do Esquerda.net sem deixar rastro.
Daniel Oliveira, tal como Vital Moreira, não perde uma oportunidade para bater no seu ex-partido. Desta vez foi a deriva democrática de Ilda Figueiredo, que inadvertidamente terá defendido um referendo democrático a respeito de uma eventual adesão da Turquia à UE, que motivou mais uma reacção irada do autor do Arrastão. Mas que raio de mania é esta de virem para aqui defender ideias democráticas! Referendo? Mas na URSS de Estaline havia referendos? Estes assuntos devem ser ditados por quem sabe ditar, evidentemente.
thestudio@sapo.pt
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